“O medo e o amor podem coexistir”

“O medo e o amor podem coexistir”: neurocientista explica reação de Thiago Nigro após fala de Maíra Cardi sobre afastamento emocional na gestação

Reprodução internet

Telma Abrahão, neurocientista e especialista em desenvolvimento infantil, analisa os impactos emocionais e cerebrais da perda gestacional e como o trauma pode afetar o vínculo entre o casal e o bebê

A empresária Maíra Cardi fez uma revelação sincera e comovente durante entrevista recente. Grávida de nove meses de Eloá, sua primeira filha com o marido Thiago Nigro, ela contou que o parceiro teve dificuldade em se conectar com a bebê durante boa parte da gestação. “Ele nem pegava direito na minha barriga”, disse Maíra, explicando que o comportamento de Thiago foi consequência direta do trauma que o casal enfrentou após a perda abrupta do primeiro filho.

A reação do empresário, segundo especialista, é mais comum do que se imagina, e tem raízes profundas na neurociência. “A fala da Maíra é um retrato muito humano do impacto emocional que uma perda gestacional pode deixar em um casal”, explica Telma Abrahão, neurocientista e especialista em desenvolvimento infantil. “O aborto espontâneo ativa no cérebro e no corpo respostas muito semelhantes às de um trauma: há uma quebra abrupta de expectativa, um luto não reconhecido socialmente e uma sensação de desamparo profundo”.

De acordo com Telma, quando uma nova gestação acontece, o corpo e o sistema nervoso do casal permanecem em estado de alerta. “O medo de reviver a dor anterior faz com que o cérebro produza mais cortisol e mantenha o organismo em vigilância, um mecanismo natural de autoproteção. É como se, inconscientemente, o sistema dissesse: ‘só vou me permitir me apegar quando tiver certeza de que é seguro”.

A neurocientista destaca ainda que o distanciamento emocional não significa ausência de amor. “No caso da Maíra, ela expressa a intensidade física e emocional do parto, somada à memória corporal da perda anterior. Já o parceiro demonstra uma reação igualmente compreensível: dificuldade em se vincular por medo de perder novamente. Esse afastamento não é falta de amor, mas uma forma de proteção emocional.”

Telma reforça a importância de se falar mais sobre saúde mental perinatal, tanto da mulher quanto do homem. “O trauma da perda de um filho reorganiza as redes cerebrais ligadas à segurança, ao apego e à empatia. Por isso, é comum que os casais precisem de tempo, escuta e apoio profissional para restabelecerem o senso de segurança e o vínculo afetivo com o novo bebê”, afirma.

Para ela, o caso de Maíra e Thiago é um lembrete poderoso: “A cura emocional após uma perda não vem apenas com o tempo, mas com o reconhecimento, o acolhimento e o entendimento de que o medo e o amor podem coexistir”.

Fonte: Telma Abrahão, neurocientista e especialista em desenvolvimento infantil

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