Férias: Gestantes Podem Viajar de Avião?

Veja os principais cuidados para reduzir riscos em viagens

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Viagens de avião não são proibidas para gestantes, mas as empresas aéreas exigem liberação médica e, dependendo da semana de gestação, esse tipo de viagem não é recomendado.

As gestantes, naturalmente, já têm mais problemas vasculares como edemas e varizes, mas elas também estão enquadradas no grupo de risco para trombose. “O risco de mulheres desenvolverem trombose aumenta substancialmente durante a gravidez. Além da questão hormonal, o fluxo sanguíneo tende a ser mais lento devido à inatividade ou à pressão nos vasos sanguíneos causada pelo útero em expansão, o que torna o sangue mais propenso a coagular”, alerta a Dra. Aline Lamaita, cirurgiã vascular, membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV). E, como as viagens de avião também são fatores de risco para o desenvolvimento da trombose, muitas gestantes têm dúvidas se podem viajar. Segundo o Dr. Nélio Veiga Junior, ginecologista e obstetra, Mestre e Doutor em Tocoginecologia pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (FCM/UNICAMP), o avião pode representar um risco para a gestante, por isso a maioria das companhias aéreas exige atestado médico a partir de 28 semanas. “É indicado sempre avaliar com a companhia aérea, mas empresas exigem liberação da equipe de saúde. Em casos de risco ou presença de sangramentos, risco de parto prematuro, hipertensão descontrolada, não é indicada a viagem. Não é indicado também viajar após a 34ª semana”, diz o médico.

Para as gestantes que podem viajar de avião, ainda assim são recomendados alguns cuidados: “Movimentar-se dentro do voo, uso de roupas confortáveis, manter hidratação, evitar cafeína em excesso e usar meias de compressão graduada em membro inferiores”, diz o Dr. Nélio. Segundo a Dra. Aline, a viagem de avião aumenta o risco pois, ao permanecer muito tempo parado e sem movimentar as panturrilhas, a velocidade do sangue dentro dos vasos diminui. “Além disso, outros fatores ajudam a desenvolver o problema, como a pressurização da cabine e o ar condicionado, que causam desidratação e, por consequência, aumentam a viscosidade sanguínea. Por isso, para evitar o quadro, é essencial caminhar no corredor da aeronave e fazer simples exercícios a fim de minimizar o risco do problema”, diz a médica. “A equipe médica vai avaliar uso de anticoagulante, se necessário quando houver risco para trombose venosa”, diz o médico.

A cirurgiã vascular sugere alguns exercícios que podem ser feitos até mesmo sentado no assento: “Comece com os pés no chão e, em seguida, levante os calcanhares enquanto mantém as pontas dos pés no chão, permanecendo nessa posição por alguns segundos. Depois, coloque os calcanhares no chão e levante os dedos dos pés. Segure por alguns segundos e repita o alongamento várias vezes. Outro ótimo exercício consiste em traçar círculos com os pés por alguns segundos, mudando de direção de fora para dentro e de dentro para fora”, explica a médica.  

Cuidados adicionais

De acordo com o ginecologista, em viagens de carro, o uso do cinto de segurança pode gerar dúvidas, mas o uso do cinto de três pontos é adequado. Independentemente do local de destino, é importante para a gestante a ingerir a recomendação média de 2 a 3 litros/dia. “Os sinais de alerta são boca seca, tontura, cefaleia, urina escura/concentrada tontura, fadiga, taquicardia e hipotensão. A desidratação pode predispor a contrações prematuras, infecções urinárias e cefaleia”, comenta o Dr. Nélio. Uma opção é a andar sempre com a garrafinha de água.

Comer fora de casa em viagens também pode ser arriscado, principalmente em estabelecimentos que vendem refeições de procedência duvidosa, lugares que devem ser evitados. Em restaurantes e hotéis, o médico comenta que o melhor a fazer é optar por pratos cozidos/grelhados/assados, frutas/vegetais/saladas bem lavadas, evitar frituras e pratos condimentados e manter intervalos regulares entre refeições duas a três horas. “Recomendamos evitar carnes, ovos e pescados crus ou malpassados, queijos não pasteurizados, embutidos, frutos do mar de origem duvidosa, legumes crus e saladas de lugares desconhecidos ou mal lavados e alimentos armazenados sem refrigeração adequada”, destaca.

Fontes: Dra. Aline Lamaita – Cirurgiã vascular, membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV). Membro da Sociedade Brasileira de Laser em Medicina e Cirurgia, do American College of Phlebology, e do American College of Lifestyle Medicine, a médica é formada pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (2000) e hoje dedica a maior parte do seu tempo à Flebologia (estudo das veias). Curso de Lifestyle Medicine pela Universidade de Harvard (2018) e pós-graduação em Medicina Integrativa e Longevidade saudável. A médica possui título de especialista em Cirurgia Vascular pela Associação Médica Brasileira / Conselho Federal de Medicina. RQE 26557.

DR. NÉLIO VEIGA JUNIOR: Médico ginecologista e obstetra, Mestre e Doutor em Tocoginecologia pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (FCM/UNICAMP). Atua em consultório privado e já foi médico preceptor no curso de Medicina da UNICAMP e médico pesquisador no Centro de Pesquisa em Saúde Reprodutiva de Campinas. Participa periodicamente de congressos, eventos e simpósios, além de ser autor de diversos artigos científicos publicados em revistas nacionais e internacionais – CRM 162641 | RQE 87396

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