Exaustão materna: saiba quando procurar ajuda por conta de cansaço mental

No imaginário popular, a maternidade é retratada como um período de plenitude, felicidade constante e realização pessoal. Na prática, porém, a experiência pode ser atravessada por cansaço extremo, sobrecarga emocional e, em muitos casos, um quadro que vai além do desgaste esperado e acende um alerta para a importância do cuidado com a saúde mental das mães. Patricia L. Mekler, coordenadora do serviço de Psicologia do Hospital e Maternidade Sepaco, destaca a importância de se diferenciar cansaço comum da chamada exaustão materna.
“Nos primeiros meses, é esperado que a mãe esteja mais cansada, principalmente pelas mudanças no sono, na rotina e pelo aumento das demandas. Esse cansaço tende a melhorar quando ela consegue descansar um pouco mais e receber ajuda nas tarefas do dia a dia. Já a exaustão é um cansaço mais profundo e persistente”, explica a profissional.
Entre os principais sinais de alerta estão a falta de energia, irritabilidade e a sensação de estar “no limite”. “Mesmo quando há oportunidade de descansar, a sensação de esgotamento continua. Muitas vezes, emocionalmente elas estão mais distantes e fazendo as coisas no automático”, acrescenta Patricia L. Mekler.
Um grande fator que contribui para o agravamento do quadro, ainda segundo a especialista, é a romantização da maternidade pela sociedade. Essa expectativa social, diz ela, pode gerar frustração e culpa.
“Essa ideia de que a maternidade é sempre prazerosa, feliz e leve, o tempo todo, na verdade não condiz com a realidade. Então muitas mulheres começam a comparar e acreditar que têm alguma coisa de errado acontecendo com elas quando se sentem exaustas e cansadas, por exemplo”, avalia a psicóloga.
Nesse contexto, a rede de apoio exerce um papel fundamental. Contar com pessoas que compartilhem responsabilidades, ofereçam ajuda prática e escutem sem julgamentos pode fazer toda a diferença para evitar que a maternidade se torne uma experiência solitária e exaustiva.
Essa sobrecarga também está relacionada ao acúmulo de papéis. Além de mães, muitas são profissionais, parceiras e, frequentemente, ainda responsáveis pela organização da rotina doméstica.
“A maternidade sempre foi desafiadora, porém, hoje em dia, com a liberdade, a mulher conquistou e acumulou muitos papéis e tarefas. Soma-se a isso a pressão das redes sociais, que reforçam padrões idealizados de vida e maternidade, onde tudo é leve e perfeito. Essa comparação constante pode intensificar sentimentos de solidão e fracasso”, alerta Patricia L. Mekler.
Ao perceber os primeiros sinais de sofrimento emocional, a recomendação é buscar ajuda. Quanto antes, melhor. O acompanhamento psicológico pode ajudar a mãe a reorganizar sua rotina e construir uma maternidade possível, alinhada à sua realidade.
Entre as estratégias práticas para lidar com a sobrecarga estão: falar sobre todas as expectativas, dificuldades e frustrações, contar com parceria na divisão de tarefas, fazer pequenas pausas ao longo do dia e reduzir a exposição a conteúdos de redes sociais que reforcem padrões irreais.
“Brincamos que quando nasce uma mãe, nasce também a culpa. As coisas não vão sair da forma como foi planejado cem por cento das vezes. Falar sobre isso e compartilhar essa experiência pode trazer alívio e ajudar a construir um caminho mais saudável”, conclui a especialista.
Fonte: Patricia L. Mekler, coordenadora do serviço de Psicologia do Hospital e Maternidade Sepaco

