A sua Dieta Balanceada na Gestação Interfere no Futuro do seu Filho

A dieta que a mulher segue em sua gestação tem ligação direta com o desenvolvimento de doenças crônicas não-transmissíveis – como diabetes, hipertensão e hipercolesterolemia (elevação da taxa de colesterol no sangue), além do fator de risco obesidade – em seu filho na idade adulta.

Graças aos estudos da Epigenética, hoje podemos orientar as gestantes sobre a importância de fazer uma dieta balanceada. Assim, ela ajudará o filho a não desenvolver tais doenças por causa dos genes herdados.

Mas, como isso acontece? Tomemos como exemplo o diabetes gestacional. Quando a mulher desenvolve essa doença na gestação, o bebê recebe uma quantidade muito maior de glicose que necessita para seu desenvolvimento. Assim, pode desenvolver a macrossomia fetal (quando o bebê cresce muito antes do nascimento) e nascer com hipoglicemia, já que, fora do útero, não terá tanta glicose disponível. Estudos indicam que bebês nascidos de mães que passaram por diabetes gestacional correm maior risco de se tornarem diabéticos na vida adulta.

Assim, as mães que têm uma gestação planejada, preparando-se antecipadamente para estar em perfeita saúde quando engravidarem e mantendo bons hábitos e a saúde em dia na gestação, promovem melhor desenvolvimento para seus bebês, proporcionando a eles mais saúde.

Para isso, a mãe precisará fazer trocas inteligentes na alimentação. Isso envolve diminuir consumo de produtos ultraprocessados e processados (aqueles que foram muito transformados pela indústria, recebendo uma série de elementos químicos e que em nada se parecem com o natural).

Também é importante reduzir o consumo de sal, glúten, açúcar e lactose na alimentação, já que esses elementos são inflamatórios. A troca inteligente é fundamental: a farinha de trigo comum deve dar lugar às de grãos integrais e outras alternativas (como aveia, castanhas, grão de bico, berinjela); o açúcar refinado deve ceder lugar ao melado de cana, mel e frutas, como tâmaras e maçã, para adoçar. As diabéticas devem trocar o adoçante por xilitol e estévia.

Com algumas mudanças de hábitos de vida, dieta balanceada e exercícios físicos regulares, conseguimos contribuis para que aquele determinado gene tenha sua expressão evitada, seja em nós mesmos ou nos filhos que teremos.

Vale lembrar que essa é a parte materna em todo o processo. Cada indivíduo, posteriormente, faz suas próprias escolhas e apenas com a adoção de bons hábitos é que esse bebê também dará continuidade ao que a mãe iniciou na gestação.

Autora: Dra. Mariana Rosario é ginecologista, obstetra e mastologista, membro do corpo clínico do hospital Albert Einstein.

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