A Suspensão da Obrigatoriedade de Proteção.

Entenda se é seguro abandonar o acessório

A discussão sobre o fim do acessório facial está sendo realizada também em outras cidades e estados, preocupando a população. Afinal, todos querem saber se é seguro voltar aos hábitos pré-pandemia de Covid e se é possível frequentar locais com ar-condicionado sem se contaminar. No caso de crianças ainda não vacinadas ou com esquema incompleto, os pais se perguntam também como devem proceder. O infectologista André Ricardo Araújo da Silva, do Grupo Prontobaby, principal rede de atendimento pediátrico do Rio de Janeiro, esclareceu as principais dúvidas. Confira:

1) É seguro suspender a obrigatoriedade das máscaras em locais fechados, como o Rio fez?

Sim, nesse momento é seguro. O Rio, por exemplo, analisou vários aspectos, não foi uma decisão tirada da cabeça de uma pessoa e pronto. Foi levada em conta a circulação do vírus, como ele está se comportando, qual a taxa de transmissibilidade do coronavírus.

Uma outra variável a ser vista é a quantidade de pessoas internadas em hospitais com Covid e a capacidade de atendimento dos estados. Outro indicativo a ser considerado é o percentual de pessoas vacinadas com esquema completo — e a maioria dos estados já está perto dos 80%, o que protege das formas mais graves da doença.

Além disso, é importante lembrar que a gente não tem nenhuma previsão de nova variante no mundo. Em diversos continentes, a circulação do vírus já está reduzida. Essa medida de retirada da máscara em espaços fechados não é exclusiva do Brasil, em países europeus já tem sido adotada. Toda epidemia tem início, meio e fim. Estamos caminhando para uma situação de tranquilidade e para, muito em breve, provavelmente, o fim da pandemia.

2) Mas e as crianças que não estão ainda vacinadas ou que apresentam ainda esquema incompleto? O risco para elas aumenta?

A história natural da Covid na pediatria é um pouco diferente da dos adultos, É um grupo etário que foi pouco comprometido, percentualmente falando, e que representou menos de um por cento de todos os óbitos pela doença. Apesar disso, o quantitativo de mortes é considerável, a gente não pode subestimar a doença e achar que, por terem sido relativamente poucos casos, está tudo bem.
 

Mas é importante dizer que o comportamento da Covid, de uma forma geral, sempre foi de causar doença leve ou pouco sintomática em crianças. A proteção já dada aos adultos com a vacina se reflete nos pequenos, mesmo nos que ainda não foram imunizados. Se você tem na população muita gente vacinada, os que não foram imunizados acabam também protegidos.

3) Com a queda das máscaras, caem todas as medidas de proteção?

A gente atrela muito a proteção da Covid ao uso de máscara, mas tem outras medidas, como higienização de mãos, evitar a aglomeração. É importante ainda manter cuidados. Mas, depois de pouco mais de dois anos, estamos caminhando para o fim da pandemia ou sua transformação em endemia. Ou seja, a doença vai continuar com a gente, provocar casos, mas sem gerar caos na saúde, superlotação de hospitais, grande quantidade de mortes.
 

No início, foi difícil para muita gente aderir à máscara, agora vai ter muitos que não vão querer tirar. Para os pais, é complicado decidir. Mas a gente tem trabalhos que mostram que a sociabilidade da criança pode ser afetada com o uso contínuo da máscara, ela não reconhece expressões faciais, é um aspecto que tem que ser considerado. A gente teve bastante crianças em isolamento que tiveram problemas de relacionamento depois, é preciso pensar por este lado também.

4) Em quais casos, então, ainda é recomendado o uso da máscara?

Enquanto não houver orientação da OMS de transformação da pandemia em endemia, devem continuar usando máscara maiores de 60 anos, pessoas imunodeprimidas, portadores de câncer em tratamento agudo, além de gestantes, caso não tenham sido vacinadas e estejam em ambientes com muita gente. Mas, na maior parte dos casos, não. Nem para pai nem para criança.

Infectologista André Ricardo Araújo da Silva, do Grupo Prontobaby

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