Ansiedade para engravidar começa antes mesmo do diagnóstico de infertilidade

Especialista explica como a expectativa pelo resultado positivo, o medo de enfrentar dificuldades e a sensação de que o tempo está passando podem aumentar a ansiedade durante as tentativas de gravidez
Planejar uma gravidez costuma envolver consultas, exames e decisões sobre o momento de aumentar a família. Para muitas mulheres, esse período também vem acompanhado de preocupação. A cada ciclo menstrual, cresce a expectativa pelo resultado positivo e, quando ele não aparece, podem surgir dúvidas sobre a própria fertilidade, mesmo sem qualquer diagnóstico.
A espera pela gravidez e a incerteza sobre quanto tempo ela pode levar também têm impacto emocional, principalmente quando a preocupação começa a ocupar espaço na rotina.
Um estudo publicado em 2025 no Maternal and Child Health Journal analisou dados de 3.458 pessoas nos Estados Unidos em diferentes momentos da tentativa de engravidar. Entre aquelas que tentavam conceber sem tratamento, 7,5% apresentaram sinais de ansiedade generalizada e 22% tiveram ansiedade específica relacionada à concepção. Os índices eram semelhantes entre quem considerava ou já realizava tratamentos de fertilidade.
“A ansiedade é frequente entre mulheres que enfrentam dificuldades para engravidar. No consultório, vemos que essa preocupação muitas vezes começa antes do diagnóstico, quando a gravidez demora a acontecer e cada ciclo passa a ser observado com muita expectativa”, explica a Dra. Thais Domingues, médica especialista em reprodução humana da Huntington.
A comparação com outras mulheres e a percepção de que o tempo para engravidar está passando pode aumentar essa preocupação. A incerteza também pesa durante as tentativas, já que uma mulher pode não ter histórico de infertilidade e ainda assim temer que exista algum problema.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, cerca de 17,5% da população adulta, aproximadamente uma em cada seis pessoas, enfrenta infertilidade ao longo da vida. A OMS considera infertilidade a ausência de gravidez após 12 meses ou mais de relações sexuais regulares sem proteção.
Segundo a Dra. Thaís, o tempo de tentativa precisa ser analisado junto com outros fatores. A idade e o histórico de saúde ajudam o médico a definir quando uma investigação é indicada e quais exames podem ser necessários.
“Algumas mulheres chegam ao consultório depois de poucos meses de tentativa já convencidas de que há algum problema com a fertilidade. A consulta ajuda a entender o contexto de cada paciente, esclarecer o que é esperado para aquela fase e avaliar se existe indicação para investigar”, afirma.
Complicações no dia a dia
A preocupação merece atenção quando começa a interferir na rotina. Dificuldade para dormir e irritabilidade podem aparecer, assim como pensamentos recorrentes sobre a possibilidade de não engravidar. A frequência e a intensidade desses sintomas ajudam a identificar quando é preciso buscar suporte profissional.
O impacto emocional das tentativas de gravidez varia de mulher para mulher e pode mudar ao longo do tempo, o que também deve ser considerado durante o planejamento reprodutivo.
“Quando cada ciclo é vivido com uma carga muito grande de expectativa e frustração, vale incluir a saúde emocional nessa conversa. O acompanhamento psicológico pode ser indicado em alguns casos, enquanto a avaliação médica ajuda a esclarecer as dúvidas sobre fertilidade e definir se existe necessidade de investigação”, conclui a especialista.
Fonte: Huntington Medicina Reprodutiva – Com mais de 30 anos de história e tradição, a Huntington Medicina Reprodutiva é uma das principais referências em reprodução assistida no Brasil. Ao longo de sua trajetória, construiu reconhecimento nacional pela excelência médica, rigor científico e pelo cuidado humano oferecido a pacientes e famílias que buscam realizar o sonho da parentalidade. A clínica atua com um portfólio completo de tratamentos em reprodução assistida, contemplando infertilidade feminina, masculina e do casal, congelamento de óvulos, fertilização in vitro, inseminação intrauterina, doação de gametas, oncofertilidade, aconselhamento genético e tecnologias avançadas de laboratório, como o sistema time-lapse, sempre com uma abordagem individualizada e acolhedora.

