Combate ao Câncer Infantil, Oncologista Alerta para os Sintomas dos Tipos mais Frequentes na Infância

Quando uma criança recebe o diagnóstico de câncer, não há como negar, é um susto enorme para toda a família. Mas, quanto mais cedo a doença for descoberta, maiores são as chances de cura.

Quando uma criança recebe o diagnóstico de câncer, não há como negar, é um susto enorme para toda a família. Mas, quanto mais cedo a doença for descoberta, maiores são as chances de cura.Por isso, o apresentador Tiago Leifert e a jornalista Diana Garbin resolveram, no mês passado, expor a situação da filha. Com pouco mais de um ano, Lua está em tratamento contra um retinoblastoma, que costuma acometer menores de 5 anos e, se tratado tardiamente, pode levar à retirada do globo ocular ou até mesmo à morte. Com a repercussão do caso, muitos pais, que nunca haviam prestado atenção a “olhos de gato” e desvios de olhar, dois dos sintomas mais frequentes, levaram os filhos para avaliação médica, possibilitando uma intervenção precoce. A oncologista pediátrica Fernanda Martins, do Grupo Prontobaby, explica quais outros tipos de câncer são comuns na infância

Confira:

LEUCEMIA:

O principal, diz a especialista, é a leucemia, responsável por 33% dos casos. Ela ocorre na medula óssea, responsável pela produção de células sanguíneas, e pode surgir de uma hora para outra, de forma aguda, quando as células sofrem uma mutação e passam a se multiplicar rapidamente, substituindo as saudáveis pelas cancerosas.

“É preciso prestar atenção a sintomas como prostração, palidez, dor óssea, infecções frequentes e manchas roxas pelo corpo, que surgem do nada, sem ter acontecido uma batida”, diz Fernanda. Não há um fator de risco específico e a doença pode acometer qualquer menino ou menina.

Tratada precocemente, com quimioterapia ou mesmo transplante de medula óssea, as chances de cura da leucemia, que se divide em mieloide e linfocítica, podem chegar a 90%.

SISTEMA NERVOSO CENTRAL:

De acordo com a oncologista do Grupo Prontobaby, cerca de 1 a 3% de todos os tumores malignos ocorrem na infância e na adolescência. Pode parecer pouco, mas esse percentual tem um impacto enorme: o câncer infantil representa hoje a principal causa de morte por doença em crianças acima de um ano de idade.

Depois da leucemia, o tipo mais frequente (16% dos casos) é o que afeta o sistema nervoso central , devido ao crescimento de células anormais no cérebro.

É preciso ficar alerta, ensina Fernanda, a dores de cabeça persistentes, vômito, alterações na visão e dificuldades para andar. Neste casos, diz a oncologista pediátrica, um médico deve ser procurado imediatamente. Ele poderá pedir exames de imagens, como tomografia do crânio ou ressonância magnética para chegar ao diagnóstico.

O tratamento e as chances de recuperação vão depender do tipo e tamanho do tumor e também das áreas do cérebro afetadas.

LINFOMAS:

Eles ocorrem devido à invasão de células anormais no sistema linfático, que contém os linfócitos, responsáveis pela defesa do corpo contra infecções, e os linfonodos, que funcionam como um reservatório de várias células do sistema imunológico. Existem dois tipos de linfomas: o de Hodgkin e o não-Hodgkin. Cada um deles possui comportamentos e graus de agressividade diferentes.

Os principais sintomas são emagrecimento súbito, febre, gânglios aumentados na região do pescoço, axilas e virilha, aumento súbito do volume abdominal e do tórax. A sudorese noturna também é um sinal frequente.

O tratamento pode incluir quimioterapia, radioterapia, transplante de células-tronco e imunoterapia. Em crianças, as chances de cura ultrapassam os 80%.

TUMOR DE WILMS:

Também conhecido como nefroblastoma, o Tumor de Wilms tem origem nos rins e pode acometer apenas um ou ambos os órgãos. Algumas síndromes genéticas podem aumentar a predisposição das crianças à doença.

Segundo Fernanda, um dos sintomas mais comuns é uma massa palpável no abdômen, mas pode haver sinais associados, como infecção urinária, pressão alta ou sangue na urina. Como em geral, o estado geral da criança é bom, muitas vezes ele demora a ser diagnosticado, levando a metástases principalmente no pulmão.

O tratamento consiste em cirurgia e quimioterapia. Quando a doença está localizada, as chances de cura atingem 90%. Mas, mesmo quando há metástase, as chances de resposta ao tratamento são grandes.

Uma recomendação da oncologista é nunca deixar de lado as consultas periódicas com o pediatra. Como muitas vezes, os cânceres têm sintomas que podem ser confundidos com os de outras doenças, o ideal, diz ela, é procurar ser atendido sempre pelo mesmo profissional. “Assim, fica mais fácil para o médico identificar possíveis mudanças na evolução da criança. Quando a consulta é realizada cada vez com um profissional, é mais difícil que ele faça o diagnóstico”.

Fernanda Martins

Oncologista pediátrica do Grupo Prontobaby

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