De Roer Unhas ao Creme sem Flúor

De roer unhas ao creme sem flúor: hábitos que afetam a saúde bucal

Especialista explica como roer unhas, usar chupeta e outras práticas podem afetar dentes e gengivas.

No dia a dia, muitos hábitos aparentemente inofensivos podem prejudicar a saúde bucal. Essas práticas, que geralmente não possuem uma função essencial para o indivíduo, costumam ser adquiridas ao longo da vida ou estarem associadas a comportamentos compulsivos e manias. Além disso, influências externas, especialmente das redes sociais, podem estimular a adoção de hábitos ou o consumo de produtos sem eficácia comprovada e que podem trazer riscos à saúde da boca.

O secretário da Câmara Técnica de Dentística do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CROSP), Dr. Camillo Anauate, esclarece alguns hábitos e produtos que podem ser prejudiciais à saúde bucal:

Roer unhas

A onicofagia é o nome dado ao hábito de roer unhas. Segundo o Dr. Camillo, quando essa prática se torna frequente, pode causar diversos problemas. Além do risco de contaminação por microrganismos presentes nas unhas, o hábito pode provocar pressão excessiva sobre os dentes, ocasionando desgastes, danos e microfraturas nas bordas dentárias. Também pode comprometer restaurações, causar sensibilidade e favorecer movimentações dentárias capazes de provocar desalinhamentos.

Chupeta

Embora seja um acessório destinado às crianças, a chupeta tem sido utilizada também por alguns adultos. “A chupeta pode ser oferecida às crianças até os 18 meses para satisfazer o reflexo natural da sucção. No entanto, o uso prolongado ou inadequado pode causar problemas como desalinhamento dentário, alterações na mordida, mordida cruzada e mordida aberta. Esses efeitos são mais comuns quando o hábito se prolonga entre os 2 e os 4 anos de idade”, alerta o cirurgião-dentista.

O especialista ressalta que, para adultos, a chupeta não possui função nem indicação clínica. Segundo ele, algumas pessoas relatam utilizá-la para aliviar tensão, ansiedade ou estresse. Porém, o uso frequente e prolongado pode provocar deslocamento dos dentes superiores, mordida aberta, desgastes dentários e sobrecarga na articulação temporomandibular (ATM), resultando em dores e desconfortos.

Jejum

Para quem pratica o jejum, o primeiro sinal percebido costuma ser o chamado hálito cetônico. De acordo com o Dr. Camillo, esse quadro ocorre devido à redução da produção de saliva e ao processo de queima de gordura pelo organismo, que libera compostos responsáveis pelo odor característico.

Nesses casos, há um aumento da percepção dos compostos sulfurados voláteis no hálito. Por isso, é fundamental manter uma boa hidratação e redobrar os cuidados com a higiene bucal durante o período de jejum.

Pasta de dente sem flúor

Dr. Camillo alerta que cremes dentais sem flúor não apresentam ação anticariogênica comprovada. Embora a remoção mecânica do biofilme dental por meio da escovação seja o principal fator para a prevenção de doenças bucais, o creme dental atua como um importante coadjuvante nesse processo.

O flúor desempenha um papel fundamental na prevenção da cárie. Por isso, o uso contínuo de cremes dentais sem esse componente pode aumentar o risco de desenvolvimento da doença”, explica o especialista.

Fonte: O secretário da Câmara Técnica de Dentística do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CROSP), Dr. Camillo Anauate – Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CROSP) é uma autarquia federal dotada de personalidade jurídica e de direito público com a finalidade de fiscalizar e supervisionar a ética profissional em todo o Estado de São Paulo, cabendo-lhe zelar pelo perfeito desempenho ético da Odontologia e pelo prestígio e bom conceito da profissão e dos que a exercem legalmente.

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