Gravidez em risco?

Especialista explica quais sinais exigem atendimento de emergência e por que não devem ser ignorados

Hemorragias, pressão alta e infecções estão entre as principais causas de complicações graves na gestação

A gravidez é um período de muitas transformações e, na maioria dos casos, transcorre de forma saudável. Ainda assim, alguns sinais merecem atenção especial, pois podem indicar situações que exigem avaliação médica. Conhecer esses sintomas e saber quando procurar ajuda é uma das formas mais importantes de promover uma gestação segura. 

Embora o Brasil tenha avançado na redução da mortalidade materna nos últimos anos, de acordo com dados do Ministério da Saúde mais de 1,3 mil gestantes morreram em 2024 em decorrência de complicações relacionadas à gravidez, ao parto ou ao puerpério. A maior parte desses óbitos é considerada evitável, reforçando o papel essencial do pré-natal e da identificação precoce dos sinais de alerta. 

Entre as principais causas de complicações estão as síndromes hipertensivas da gestação, como a pré-eclâmpsia, além de hemorragias, infecções e parto prematuro. Segundo o obstetra Dr. Pedro Melo, do Hospital da Mulher Mariska Ribeiro, no Rio de Janeiro, a informação é uma aliada para que as pessoas gestantes recebam assistência no momento adequado. 

“Felizmente, a maioria das intercorrências pode ser controlada quando identificada precocemente. Por isso, conhecer os sintomas e buscar atendimento quando necessário é uma atitude de cuidado e não motivo para pânico. Em obstetrícia, agir cedo faz toda a diferença para preservar a saúde dos pacientes”, explica. 

Quando a pressão alta exige atenção

Um dos quadros que demanda acompanhamento cuidadoso é a pré-eclâmpsia, condição caracterizada pela elevação da pressão arterial após a 20ª semana de gestação .Dor de cabeça intensa e persistente, alterações visuais, sensação de pontos brilhantes na visão, dor forte na região superior do abdômen, falta de ar e inchaço repentino no rosto e nas mãos são sintomas que justificam uma consulta médica. 

“Nem toda dor de cabeça ou inchaço significa uma complicação. No entanto, quando esses sintomas são intensos, surgem de forma súbita ou vêm acompanhados de alterações visuais e mal-estar é fundamental procurar atendimento. Quanto mais cedo identificamos uma alteração, maiores são as chances de conduzir a gestação com segurança”, afirma o especialista. 

Sangramento na gravidez

Outro sinal que não deve ser ignorado, conforme orienta Dr. Melo, é o sangramento vaginal. Ele destaca que, nas fases mais avançadas da gestação, pode indicar alterações na placenta que necessitam de acompanhamento médico. 

“Não é preciso esperar que o sangramento aumente para procurar ajuda. Mesmo pequenas quantidades devem ser avaliadas, principalmente se houver dor abdominal, contrações ou redução dos movimentos do bebê”, frisa.

Perda de líquido e risco de parto prematuro

A perda de líquido pela vagina também merece atenção. Diferentemente do corrimento fisiológico, o líquido amniótico costuma ser mais fluido e contínuo. A ruptura prematura da bolsa pode favorecer infecções e aumentar o risco de parto prematuro, tornando importante uma assistência hospitalar. 

“Nem toda perda de líquido significa que o trabalho de parto começou, mas é uma situação que precisa ser esclarecida para garantir o melhor acompanhamento”, enfatiza. 

Dor intensa não deve ser considerada normal

O obstetra lembra que desconfortos leves e algumas cólicas podem fazer parte das mudanças naturais da gravidez. Porém, dores intensas, persistentes ou acompanhadas de sangramento, febre, vômitos ou contrações regulares devem ser investigadas.

“É comum ter dúvidas sobre o que é esperado e o que foge da normalidade. A recomendação é não sofrer em casa e procurar orientação sempre que houver preocupação. Na maioria das vezes, conseguimos tranquilizar os pacientes, mas é importante descartar situações que necessitem de tratamento”, explica o especialista.

Os movimentos do bebê são sinais de bem-estar 

A partir do terceiro trimestre, os movimentos fetais tornam-se um dos principais indicadores do bem-estar do bebê. “Mais do que contar movimentos, a pessoa gestante deve conhecer a rotina do próprio bebê. Se perceber que ele está muito mais quieto do que o habitual, vale procurar assistência. Em muitos casos, está tudo bem, mas essa consulta é importante para trazer segurança”, afirma.

Febre e infecções também precisam de acompanhamento

Febre persistente acima de 38°C, especialmente quando acompanhada de dor ao urinar, falta de ar ou mal-estar, pode indicar infecções que exigem tratamento. O médico ressalta que as infecções urinárias, por exemplo, estão entre as intercorrências mais frequentes na gravidez e, quando tratadas precocemente, costumam apresentar boa evolução. 

Além disso, sintomas como falta de ar intensa, dor no peito, desmaios, palpitações ou inchaço súbito em apenas uma das pernas também requerem avaliação. 

Informação e pré-natal são os maiores aliados

Para o Dr. Melo, conhecer os sinais de alerta não deve gerar medo, mas sim contribuir para que a pessoa gestante se sinta mais segura durante toda a gravidez. 

“A gestação é um processo fisiológico e, felizmente, a grande maioria terá uma gravidez saudável. O pré-natal regular e a atenção aos sintomas ajudam a identificar precocemente qualquer alteração. Na dúvida, é sempre melhor procurar orientação e receber a tranquilidade de que está tudo bem do que deixar passar um sinal importante”, conclui.

Fonte: obstetra Dr. Pedro Melo, do Hospital da Mulher Mariska Ribeiro, no Rio de Janeiro – Hospital da Mulher Mariska Ribeiro, localizado em Bangu, no Rio de Janeiro, é um complexo gerenciado pelo CEJAM – Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim” em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro.

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