Gestação de gêmeos: mitos, riscos e cuidados que toda família precisa conhecer

Gravidez gemelar exige pré-natal mais rigoroso para acompanhar o desenvolvimento dos bebês, reduzir riscos e orientar decisões como a via de parto.
A gestação de gêmeos costuma despertar curiosidade, emoção e muitas dúvidas. Embora seja uma condição cada vez mais comum nos dias de hoje, ainda existem mitos sobre como a gravidez gemelar acontece, quais são os riscos envolvidos e quais cuidados devem ser adotados ao longo do pré-natal.
A gravidez múltipla pode ocorrer de duas formas principais: na gestação de gêmeos dizigóticos, popularmente chamados de “não idênticos” ou “bivitelinos”, dois óvulos diferentes são fecundados por dois espermatozoides distintos. Já na gestação de gêmeos monozigóticos, ou “idênticos” ou “univitelinos”, um único embrião se forma a partir de um óvulo e um espermatozoide e acaba se dividindo em dois.
Uma das etapas mais importantes no início da gestação é a identificação da corionicidade — isto é, se os bebês compartilham ou não a mesma placenta. Essa avaliação, geralmente realizada no primeiro trimestre, orienta o nível de atenção necessário, a frequência dos exames e as estratégias de monitoramento ao longo do pré-natal.
“Nem toda gestação de gêmeos é igual. Dois bebês podem ter placentas separadas ou compartilhar a mesma, e isso muda completamente a forma como a gravidez deve ser monitorada. Por isso, o pré-natal é tão importante para avaliar a saúde materna, o crescimento individual de cada bebê, a placenta, a quantidade de líquido amniótico e possíveis diferenças de desenvolvimento entre os fetos. Quanto mais cedo identificamos o tipo de gestação gemelar, idealmente no primeiro trimestre da gestação, mais preciso é o planejamento do acompanhamento. É exatamente por isso que o ultrassom precoce é tão relevante”, explica o Dr. Wagner Hernandez, ginecologista e obstetra da Pro Matre Paulista.
Embora a maior parte das gestações evolua bem, a gravidez gemelar é considerada de maior risco quando comparada à gestação de feto único. Há maior probabilidade de prematuridade, restrição de crescimento fetal, diabetes gestacional, hipertensão, pré-eclâmpsia, anemia e necessidade de acompanhamento mais frequente.
“Durante a gestação, alguns sinais devem ser acompanhados com atenção. Entre eles: contrações frequentes, sangramentos, perda de líquido, dor abdominal intensa, falta de ar, dor de cabeça persistente, alterações visuais, inchaço, redução dos movimentos fetais e aumento significativo da pressão arterial. Caso ocorram, é fundamental buscar orientação médica imediata” reforça Dr. Wagner.
A seguir, o especialista esclarece oito mitos e verdades sobre gestação de gêmeos
1. Toda gestação de gêmeos é considerada de risco
Verdade. A gravidez gemelar é classificada como gestação de maior risco porque apresenta maior probabilidade de complicações para mãe e bebês. Isso não significa que haverá necessariamente um problema, mas indica a necessidade de pré-natal mais rigoroso, com consultas e exames em intervalos menores.
2. Gêmeos sempre nascem prematuros
Mito. A prematuridade é mais comum em gestações gemelares, mas não ocorre em todos os casos. Embora a idade gestacional média seja menor do que em gestações únicas, cerca de metade das gestações chegam a uma idade gestacional segura, especialmente quando há acompanhamento adequado. Por esse motivo, a equipe médica costuma monitorar com mais atenção os sinais de trabalho de parto prematuro e condições que possam antecipar o parto.
3. É possível que cada bebê seja de um pai diferente
Verdade. Embora extremamente raro, esse fenômeno é chamado de superfecundação heteropaternal. Ele pode acontecer quando a mulher libera dois óvulos no mesmo ciclo, tem relações sexuais com parceiros diferentes em um curto intervalo de tempo e cada óvulo é fecundado por espermatozoides de pais distintos. Embora biologicamente possível, é uma situação raríssima.
4. Gêmeos em que cada um tem a sua própria placenta não podem ser idênticos.
Mito. Gêmeos idênticos se formam a partir da divisão de um mesmo embrião, mas a presença de uma ou duas placentas depende do momento em que essa divisão acontece. Por isso, alguns gêmeos idênticos podem ter placentas separadas, enquanto outros compartilham a mesma placenta. Essa informação é essencial para definir o acompanhamento da gravidez.
5. Gêmeos não idênticos podem ser de sexos diferentes
Verdade. Gêmeos não idênticos se desenvolvem a partir de dois óvulos e dois espermatozoides diferentes. Por isso, podem ser dois meninos, duas meninas ou um menino e uma menina. Já gêmeos idênticos, em geral, têm o mesmo sexo biológico, pois compartilham o mesmo material genético.
6. A barriga cresce mais rápido nas gestações gemelares
Verdade. Como há dois bebês se desenvolvendo, o útero tende a aumentar mais rapidamente do que em uma gestação única. No entanto, o tamanho da barriga pode variar conforme biotipo da gestante, posição dos bebês, quantidade de líquido amniótico, idade gestacional e características individuais da gravidez. Vale lembrar que o tamanho da barriga não é um marcador de saúde fetal na gravidez gemelar — o ultrassom é o método mais confiável para avaliação.
7. Toda gestação de gêmeos precisa terminar em cesárea
Mito. A cesárea é comum em gestações gemelares, mas não é obrigatória em todos os casos. A via de parto depende de fatores como a idade gestacional, posição do primeiro bebê, peso dos bebês, tipo de gestação gemelar, desejo da mulher e experiência da equipe. Em situações selecionadas, o parto vaginal pode ser uma possibilidade segura.
8. O pré-natal de gêmeos precisa ser mais frequente
Verdade. A gestação gemelar exige acompanhamento mais próximo para monitorar o crescimento dos bebês, condições da saúde materna, sinais de risco para prematuridade, alterações na placenta e possíveis diferenças entre os fetos. Em gestações com placenta compartilhada, o controle costuma ser ainda mais rigoroso.
Fonte: Dr. Wagner Hernandez, ginecologista e obstetra da Pro Matre Paulista. A Pro Matre Paulista é referência em cuidado materno e neonatal, unindo excelência médica, alta tecnologia e uma hospitalidade reconhecida. A instituição oferece uma experiência de parto com os mais altos padrões de qualidade e segurança, em um ambiente sofisticado e projetado para garantir conforto e privacidade.

