Por Que Não Pode Amamentar com o Diagnóstico de Câncer

Especialista internacional em lactação e pediatra explicam a relação da necessidade do desmame com o tratamento do câncer e quais medidas podem amenizar o sofrimento da mãe

imagem Pixabay

Receber um diagnóstico de câncer está entre as piores vivências que alguém pode ter. Receber este diagnóstico durante a fase de amamentação torna o sofrimento inestimável para quem nunca passou por isso. Nos últimos dias, a influenciadora Fabiana Justus iniciou exatamente esta travessia, recebendo o diagnóstico de leucemia, enquanto seu filho mais novo (Luigi, 5 meses), está em pleno momento de alimentação exclusiva por leite materno.

Cinthia Calsinski, enfermeira obstetra e consultora internacional de lactação, informa que a quimioterapia é mesmo incompatível com a amamentação, não há alternativas seguras. “Se houver a necessidade de tratamento na gestação, existem algumas opções que não ultrapassam a barreira placentária e podem ser utilizadas. Não é o caso da fase de amamentação, infelizmente”, lamenta a especialista.

Dr. Paulo Telles, pediatra pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), lembra a recomendação da SBP de que a quimioterapia é um tratamento que impossibilita a amamentação. “Isso porque a medicação passa pelo leite e pode acometer o bebê. Os medicamentos usados na quimioterapia são perigosos para as crianças porque interferem na divisão normal e saudável das células do corpo”, detalha ele.

Algumas mulheres que estiveram nessa situação, segundo Cinthia, costumam dizer que a notícia do diagnóstico e da necessidade de desmame abrupto e precoce são igualmente dolorosas. “E vale lembrar que esta mulher ainda se encontra no puerpério, momento de fragilidade intensa, alterações hormonais, retorno físico-emocional de todo o organismo para o estado anterior à gestação”, complementa a especialista em obstetrícia.

Por este fator, Dr. Paulo Telles orienta que as pessoas ao redor tomem para si o cuidado com esta mãe num momento extremamente delicado. “Temos de amparar, acolher e dar ainda mais força e segurança para a lactante que iniciará o tratamento. O bebê ficará muito bem com a alimentação alternativa. Por isso, o mais importante é cuidar da saúde física e emocional da mãe”, reforça, ao convocar toda a rede de apoio que rodeia esta mulher, numa conjuntura onde isso é mais necessário que nunca.

O que acontece com o leite?

Nestas situações, explica Cinthia, é indicada uma medicação para secar o leite, associada à necessidade de avaliação frequente das mamas, observando possíveis complicações e intervindo o mais precocemente possível. “Os cuidados básicos nestes casos seriam enfaixamento das mamas e compressas geladas. Massagens e ordenhas devem ser evitadas, a não ser que sejam indicadas por alguma questão específica, e por um profissional especialista no assunto”, explica.

Além do tratamento interferir diretamente no bebê via amamentação, Cinthia informa, ainda, que no próprio momento de investigação diagnóstica já podem ser necessários exames com contrastes, procedimentos com necessidade de medicação, que já podem ter impacto na lactação. “O tratamento é intenso, necessita de internação prolongada, provoca queda da imunidade e consequente isolamento social pelo risco de infecção”, complementa.

Fonte:

Cinthia Calsinski Enfermeira Obstetra e consultora internacional de lactação – cinthia܂calsinski – Consultora do Sono Materno-Infantil formada pelo International Maternity e Parenting Institute (IMPI)

Dr. Paulo Telles, pediatra pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) – CRM 109556 @paulotelles

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