Primeiro banho do recém-nascido: quando ele deve ocorrer?

A chegada de um bebê é um momento de novos desafios, dúvidas e aprendizados

Até mesmo o banho, um hábito tão normal na rotina adulta, gera inseguranças e incertezas quando falamos de recém-nascidos. Esse dilema é compreensível, pois, para este grupo, o momento certo da primeira higienização, a frequência e demais cuidados são essenciais para manter a saúde em dia e evitar consequências à pele dos pequenos.

De acordo com a pediatra do Hospital Edmundo Vasconcelos, Juliana Pellegrini, o banho nos recém-nascidos deve ser compreendido como um hábito de higiene, porém, é preciso considerar alguns requisitos específicos desta fase da vida. “O ideal é o que o primeiro banho seja adiado até que a estabilidade térmica da criança seja alcançada. Segundo a Organização Mundial da Saúde, a recomendação é que ele ocorra após 24 horas do nascimento”, conta a especialista.

Este prazo tem duas razões importantes, e a primeira está associada à presença do vérnix na pele dos recém-nascidos. Essa substância é formada por uma combinação de secreções para permitir a maturação adequada da pele e protegê-la contra o líquido amniótico e suas enzimas, além de fornecer benefícios antibacterianos e antioxidantes e atuar como um lubrificante no parto. A lista de vantagens não acaba depois do nascimento e por isso é preciso aguardar para dar o banho.

“A retenção do vérnix após o nascimento determina a hidratação da pele e a maior proteção contra microrganismos patogênicos, já que proporciona um menor pH (mais fisiológico) e reduz o eritema. Por isso, ele não deve ser removido nas primeiras horas de vida, exceto quando houver risco de transmissão de doenças maternas. Vale lembrar que, caso haja razões culturais para antecipar o banho, o período pode ser reduzido de 24 horas para pelo menos 6 horas”, explica Juliana Pellegrini.

O segundo motivo para o adiamento é igualmente importante e está relacionado à amamentação. Como a médica ressalta, quando feito de forma precoce, interrompe desnecessariamente a amamentação e o contato com a pele da mãe com o recém-nascido. “Realizar este ato antes do período em que é recomendado interfere nesses aspectos e pode aumentar o risco de hipotermia e desconforto respiratório”.

Após o período, para seguir garantindo a eficácia da barreira cutânea, o ideal é que o sabonete líquido usado seja específico para peles sensíveis de recém-nascidos e de lactantes. Outros cuidados dizem respeito ao tipo do banho, à temperatura da água e à frequência. Segundo a pediatra, a orientação é que o banho seja de imersão para promover menor perda de calor e maior conforto ao bebê.

“É importante manter a temperatura da água entre 37 Cº e 37,5 Cº e que o banho dure de 5 a até 10 minutos. Quanto à frequência, não há problema em ser diário, mas pode-se optar também por 2 a 3 vezes por semana desde que as pregas, o cordão umbilical e a área das fraldas sejam devidamente higienizadas”, reforça a especialista.

Os hidrantes não precisam ficar de fora do cuidado com a pele dos bebês, mesmo no período neonatal. A preferência é que sejam usados após o banho, diariamente ou pelo menos três vezes na semana. E, assim como os lenços umedecidos, Juliana Pellegrini atenta para a necessidade de eles serem livres de substâncias irritantes como álcool e fragrâncias.

Juliana Pellegrini

Pediatra do Hospital Edmundo Vasconcelos

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