Síndrome pé-mão-boca

Pediatra dá dicas de como enfrentar a síndrome pé-mão-boca

Uma doença altamente contagiosa tem levado muitas crianças a consultas de emergência em todo país nas últimas semanas. Com febre alta, elas apresentam bolhas nas solas dos pés, nas palmas das mãos e também no interior e exterior da boca – o que causa muito desconforto e dificulta a alimentação. A pediatra Patrícia Rezende, explica que, no início, os pais podem até pensar se tratar de catapora, mas que, pela localização e aparência das lesões, é possível identificar a síndrome pé-mão-boca. Os casos, diz ela, aumentaram muito, já que é durante a primavera que o vírus coxsackie, principal transmissor da doença, costuma circular com mais intensidade.

Temos visto um número grande de casos, mas, felizmente, poucos precisam de internação. Normalmente, a evolução é benigna, mas há sempre o risco de o quadro se agravar. Como o paciente não consegue comer, pode desidratar. Além disso, as lesões podem infectar, ocorrer uma lesão bacteriana – alerta Patrícia, que listou uma série de medidas que os pais podem tomar para aliviar o incômodo dos pequenos e evitar que a síndrome se propague.

A primeira providência, diz ela, é isolar a criança infectada. É necessário retirá-la da creche ou da escola, já que o contágio é por transmissão direta, seja por saliva, espirros, fala ou até mesmo pelas fezes. Passados os sintomas, que costumam desaparecer em dez dias, é possível que os pequenos voltem ao convívio com os amigos, mas ainda é necessário ter cuidados redobrados no trocar as fraldas ou quando for ao banheiro.

É necessário tomar cuidado porque as crianças continuam eliminando o vírus pelas fezes, e contaminando, mesmo depois que os sintomas passam – diz Patrícia.

Por isso, é importante que cuidadores lavem bem as mãos após a troca de fraldas. No caso de crianças mais velhas, deve-se orientá-las a lavar muito bem as mãos sempre que usarem o banheiro. A pediatra lembra que os menores de 5 anos costumam ser os mais acometidos, mas que a síndrome também pode ocorrer em crianças mais velhas, adolescentes e até mesmo adultos.

Confira a seguir outras dicas:

1) Cuidado ao coçar – A lesões são muito incômodas e as crianças costumam tentar coçá-las. O alívio é momentâneo, mas o risco é grande. As bolhas podem infeccionar. Para evitar a complicação, mantenha as mãos dos pequenos sempre limpas e, não esqueça, corte as unhas bem curtas.

2) Roupas adequadas – Outra maneira de evitar lesões é manter a criança com roupas que impeçam o acesso às bolhas. “Se a perninha está coçando, use uma calça que proteja, evitando que a criança mexa nas lesões”, ensina Patricia

3) Atenção aos talheres – Separe copo, talheres e pratos para uso restrito do infectado. Mas não é preciso exagerar – ferver roupa de cama, por exemplo, não é necessário.

4) Uso de luvas – Use a proteção sempre que tiver contato com as fezes dos infectados. Se não for possível, lave bem as mãos.

5) Comidas mais facilmente aceitas – As bolhas doem muito e, acredite, é difícil ter disposição para se alimentar. Alguns alimentos, no entanto, têm maior aceitação. É o caso de mingaus e outros preparos pastosos. Doces também costumam fazer mais sucesso. Evite salgados e nunca esqueça de oferecer água.

6) Tratamento -O tratamento, que deve ser orientado pelo pediatra ou clínico geral, pode ser feito com remédios para a febre, anti-inflamatórios, remédios para a coceira e pomadas para as aftas, com o objetivo de aliviar os sintomas. Não há um remédio específico para a síndrome.

Dra. Patricia Rezende

Sou formada pela Universidade Federal Fluminense, cursei Residência Médica em Pediatria no Hospital Prontobaby, possuo Título de Especialista...

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