Nova vacina passa a integrar o calendário infantil do SUS a partir de junho e amplia cobertura contra sorotipos mais agressivos do pneumococo

Sistema Único de Saúde (SUS) vai incorporar a vacina pneumocócica 20-valente ao Programa Nacional de Imunizações (PNI). A partir de junho, o novo imunizante começará a substituir gradualmente a pneumocócica 10-valente no calendário infantil da rede pública. A vacina será aplicada aos 2 meses, 4 meses e reforço aos 12 meses de idade. A vacina também será disponibilizada para grupos vulneráveis e pessoas com condições especiais, como crianças com doenças cardíacas e pulmonares, idosos e imunossuprimidos.
A doença pneumocócica é causada pela bactéria Streptococcus pneumoniae, conhecida como pneumococo, responsável por infecções que variam de quadros leves, como otite e sinusite, até formas graves, como pneumonia bacteriana, meningite e sepse.
Segundo o Ministério da Saúde, mesmo após a introdução das vacinas pneumocócicas conjugadas, a doença permanece como importante causa de morte entre doenças imunopreveníveis em crianças menores de 5 anos e pessoas a partir dos 60 anos. Dados do Ministério mostram que, após a adoção da vacina pneumocócica 10-valente no SUS, houve redução de 55% a 60% dos casos de doença pneumocócica invasiva em crianças menores de 2 anos e diminuição superior a 65% dos casos de meningite pneumocócica nessa faixa etária. Apesar disso, o cenário voltou a preocupar após a pandemia. Em 2023 e 2024, os casos de meningite pneumocócica ficaram acima do esperado no Brasil. Em 2024, a doença apresentou letalidade de 31,4%, com registro de 501 óbitos no país.
Outro ponto de atenção é o aumento da circulação dos sorotipos 19A e 3, considerados entre os mais agressivos e não contemplados pela vacina 10-valente utilizada até então no SUS. “A vacina disponível no SUS estava bastante defasada em relação ao cenário epidemiológico atual. Hoje, os sorotipos que mais preocupam os especialistas são justamente o 19A e o 3, que não eram cobertos pela vacina 10-valente”, explica a pediatra Anna Dominguez Bohn.
Existem mais de 100 sorotipos de pneumococo identificados no mundo. Segundo a médica, os tipos mais prevalentes mudam ao longo do tempo por fatores como vacinação populacional e resistência bacteriana. “Essa bactéria causa principalmente doenças respiratórias, como otite, sinusite e pneumonia. O grande medo são as formas invasivas, especialmente meningite e pneumonias graves”, afirma.
A nova vacina protege contra 20 sorotipos do pneumococo e já estava disponível na rede privada. Agora, com a incorporação ao SUS, a expectativa é ampliar a proteção da população infantil e dos grupos de risco. “Essa é uma mudança muito expressiva dentro da saúde pública. Era uma vacina aguardada há bastante tempo, principalmente porque o SUS estava defasado em relação às vacinas disponíveis na rede privada”, diz Anna Dominguez Bohn.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que a ampliação da cobertura vacinal contra o pneumococo pode evitar mais de 27 mil mortes por ano, além de reduzir internações e o uso excessivo de antibióticos.
Apesar da atualização no SUS, ainda haverá diferença entre o esquema vacinal da rede pública e o recomendado na rede privada. Enquanto o SUS adotará doses aos 2, 4 e 12 meses, na rede particular a recomendação é feita aos 2, 4, 6 e 12 meses. “A ampliação da proteção no SUS representa um avanço importante para a saúde pública e para a redução de casos graves da doença pneumocócica no país”, afirma a pediatra Ana Dominguez Bohn.
Fonte: Dra. Anna Dominguez Bohn é pediatra formada pela Universidade de São Paulo (USP), com especialização em Terapia Intensiva Pediátrica, Síndrome de Down, Neurociência e Desenvolvimento Infantil. Atualmente integra o corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein, onde também ministra cursos de atualização para médicos de diversas especialidades, além de atuar nos hospitais Sírio-Libanês e Vila Nova Star. CRM 150.572 | RQE 106869 / 1068691

